ICMBio aponta impacto negativo de prédios de até 20 andares em Teresópolis, no RJ

  • 26/03/2026
(Foto: Reprodução)
ICMBio alerta para impactos de prédios de 20 andares em Teresópolis Rogério de Paula/g1 Um parecer técnico do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) aponta que a lei que permite a construção de prédios de até 20 andares em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, pode causar impactos negativos ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Parnaso). O documento destaca possíveis prejuízos à paisagem, ao trânsito e ao meio ambiente. O estudo, elaborado em fevereiro de 2026, foi anexado a um processo judicial que discute a Lei Complementar nº 351/2025, responsável por autorizar a verticalização no bairro do Alto. "O ICMBio, por meio de sua equipe técnica, apresentou os possíveis impactos ambientais caso o empreendimento seja realizado no município. O Ministério Público Federal também se manifestou, apontando que o projeto pode representar riscos aos recursos hídricos da região", confirmou a advogada e líder do Movimento 'Não aos 20 Andares', Márcia Peixoto. 📱 Siga o canal do g1 Região Serrana no WhatsApp. Segundo o ICMBio, a área afetada está na zona de amortecimento do parque, faixa de proteção no entorno da unidade, e fica a cerca de 100 metros dos limites do Parnaso. Para o órgão, a mudança pode provocar adensamento urbano significativo, com aumento no número de moradores e construções. A avaliação técnica indica que esse crescimento tende a elevar o fluxo de veículos, dificultar o acesso ao parque e pressionar a infraestrutura urbana, como abastecimento de água e rede de esgoto. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Impacto na paisagem O parecer também alerta para alterações na paisagem da Serra dos Órgãos, um dos principais patrimônios naturais e turísticos da cidade. De acordo com o ICMBio, a construção de edifícios mais altos pode comprometer a visibilidade de pontos como o Dedo de Deus. Em resposta enviada ao g1 nesta quarta-feira (26), o órgão foi direto: “Sim, a construção desses prédios deverá interferir na paisagem, causando impactos na unidade, uma vez que a beleza cênica é um dos atributos do Parque Nacional da Serra dos Órgãos”. A nota técnica destaca ainda que a paisagem tem valor cultural, turístico e identitário, e pode ser afetada pela verticalização. O documento relaciona esse tipo de impacto a critérios internacionais de preservação, como os adotados pela Unesco. Outro ponto levantado é a ausência de consulta ao ICMBio durante a tramitação da lei. Embora não haja exigência formal, o instituto afirma que não foi ouvido, mesmo com a proximidade da área com a unidade de conservação. O parecer também aponta possível conflito com o plano de manejo do parque e com as regras da zona de amortecimento, que preveem controle de impactos no entorno. Disputa judicial A discussão sobre a lei já está na Justiça, e o parecer foi incluído no processo como subsídio técnico para análise do caso. Na conclusão, o ICMBio afirma que a proposta pode gerar impactos ambientais e paisagísticos e recomenda análise mais rigorosa. O instituto também considera inadequada a inclusão do ICMBio como réu na ação. A norma também é alvo de críticas de moradores, especialistas e órgãos de controle. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro recomendou a revogação da lei e a suspensão de licenciamentos baseados nela, alegando falta de estudos técnicos e de participação pública. Até a última atualização desta reportagem, a Prefeitura de Teresópolis não havia se manifestado sobre o parecer do ICMBio.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/regiao-serrana/noticia/2026/03/26/icmbio-aponta-impacto-negativo-de-predios-de-ate-20-andares-em-teresopolis.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Anunciantes